A presença da háquea-picante na Serra do Gerês ainda é relativamente limitada, mas isso não significa que o problema possa ser ignorado. Esta espécie invasora tem a capacidade de se dispersar rapidamente, especialmente após o fogo, podendo ocupar novos espaços e competir com a vegetação natural. Por isso, uma das melhores oportunidades para proteger os habitats do Gerês é agir enquanto a invasão ainda está numa fase inicial.
É esse o objetivo do projeto 8207, desenvolvido pelo Agrupamento de Baldios da Serra do Gerês com o apoio da IUCN Save Our Species e cofinanciamento da União Europeia: controlar a presença de háquea-picante em Pincães e Cabril e acompanhar estas áreas para reduzir o risco de expansão da espécie.
Nos primeiros seis meses do projeto, foram intervencionadas cerca de 15,16 hectares, correspondendo a aproximadamente 62% da área prevista. As duas áreas de Pincães foram totalmente intervencionadas e cerca de 7,3 hectares de Cabril foram também abrangidos. O trabalho permitiu já observar uma redução significativa da presença de háquea nas áreas intervencionadas.
A execução no terreno nem sempre foi simples. O acesso a algumas zonas é difícil e o período de maior calor e risco de incêndio obrigou a adaptar algumas das ações inicialmente previstas. Em Cabril, a ocorrência de um pequeno incêndio levou também a reforçar o acompanhamento da área. Estes acontecimentos mostraram-nos mais uma vez a importância de adaptar o trabalho às condições do território e de estarmos preparados para responder rapidamente a situações inesperadas.
Outro momento importante foi o envolvimento da comunidade local de Pincães numa das intervenções. Foi uma oportunidade para aproximar a população do projeto e para falar sobre a importância de controlar esta espécie invasora e proteger os habitats que fazem parte do seu território.
Durante a segunda fase, o objetivo será concluir a intervenção em Cabril, continuar a monitorizar as áreas intervencionadas e reforçar a sensibilização e comunicação sobre a háquea-picante.
Proteger a biodiversidade também passa por prevenir. Ao agir numa fase ainda inicial da invasão, estamos a tentar evitar problemas maiores no futuro e a contribuir para a conservação dos habitats naturais da Serra do Gerês, em linha com o ODS 15 – Proteger a Vida Terrestre.



















