A háquea-picante é uma espécie invasora que pode representar uma ameaça para os habitats naturais da Serra do Gerês, sobretudo quando o fogo facilita a libertação e dispersão das suas sementes. Apesar de a sua presença no território ainda estar relativamente contida, acreditamos que este é precisamente o momento certo para agir: quanto mais cedo conseguirmos controlar a espécie, maior será a possibilidade de evitar que se estabeleça e se torne um problema mais difícil de controlar no futuro.
Com o apoio da IUCN Save Our Species e cofinanciamento da União Europeia, o projeto 8112 arrancou este ano com o objetivo de eliminar pequenos núcleos de háquea-picante e reduzir o risco da sua expansão, contribuindo simultaneamente para a proteção e recuperação dos habitats naturais da Serra do Gerês.
Durante estes primeiros seis meses, foram concluídas as intervenções em quatro das cinco áreas previstas — Rio Caldo, Vilar da Veiga e Fafião — abrangendo no total cerca de 17,9 hectares. A intervenção na área de Ermida ficará para a segunda fase do projeto. Para além do trabalho de controlo da espécie, foram realizadas ações de acompanhamento das áreas intervencionadas e recolhidos dados que permitirão avaliar a evolução dos locais ao longo do projeto.
Um dos aspetos que consideramos mais importantes tem sido também o envolvimento das comunidades locais, dos gestores dos baldios e das equipas de Sapadores Florestais. A presença de quem conhece e acompanha diariamente este território é essencial para detetar novas ocorrências, acompanhar as áreas intervencionadas e agir rapidamente sempre que necessário.
Este projeto representa uma ação preventiva: remover a háquea enquanto a sua presença ainda é limitada significa proteger os habitats e espécies nativas antes que os impactos se tornem maiores. Ao contribuir para a conservação da biodiversidade e para a gestão sustentável dos ecossistemas, estamos também a dar um pequeno passo para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, nomeadamente o ODS 15 – Proteger a Vida Terrestre.
O trabalho ainda não terminou. Nos próximos meses vamos continuar a acompanhar as áreas intervencionadas, concluir a intervenção em Ermida e reforçar as ações de monitorização e sensibilização. Agir cedo, trabalhar em conjunto e continuar atentos são passos essenciais para manter a Serra do Gerês protegida.






















