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Celestino André

Celestino Gomes André nasceu em 1983, em Vilar de Perdizes, concelho de Montalegre. Desde cedo revelou uma forte ligação ao desenho, mas foi através da sua profissão de técnico de cantaria artística, numa empresa local de transformação de granitos, que começou a aprofundar o seu lado criativo, desenvolvendo também uma paixão pela escultura em pedra.

O desenho acompanhou-o no dia a dia profissional, mas é nos tempos livres que encontra maior liberdade para explorar esse dom. Autodidata, descobriu na técnica de grafite e carvão sobre papel a sua maior forma de expressão, representando sobretudo animais e cenas do quotidiano rural.

Em 2014 realizou a sua primeira exposição, um marco importante no seu percurso artístico, uma vez que até então raramente divulgava os seus trabalhos. Com o tempo, foi-se especializando no retrato, área onde já representou inúmeras pessoas, aperfeiçoando constantemente o realismo e o detalhe.

Mais recentemente, decidiu arriscar em novas experiências, explorando a pintura e a introdução da cor. Partindo do traço a esferográfica, combina-o agora com fundos em acrílico ou óleo, que posteriormente são trabalhados e retocados com camadas de cor a óleo.

A Obra

O Pastor e a Serra

Abordado para participar nos Seminários Caminhados de 2025 como artista residente, iniciei um processo de reflexão com o objetivo de criar uma obra que representasse a serra e todos aqueles que a rodeiam.

De quem é a serra?

Até quando haverá pastores, lobos, cabras ou árvores?

Estas foram algumas das perguntas que fui ouvindo ao longo do caminho.

“O Pastor e a Serra” nasce dessas inquietações. A obra surge a partir de uma pedra que poderia ser, porque não, um fragmento da própria serra  onde as fragas guardam e contam histórias antigas. O pastor caminha cada vez mais solitário, encostado ao rochedo, procurando abrigo do tempo… ou do tempo.

Com o cajado firme entre a mão e a terra, estabelece-se uma ligação profunda: entre o Homem e a serra. A sua figura, esculpida pelo cinzel da rotina, vai-se desvanecendo lentamente, como neve numa manhã soalheira. A luz atravessa-lhe a alma e deixa, no horizonte, uma interrogação em suspenso.