Manuel Lopes Rodrigues, natural de Vigo (Galiza), esteve envolvido na criação da Comunidade de Montes de Teis em 1998, onde desempenhou diversos cargos. Participou em documentários e foi frequentemente entrevistado sobre os bens comuns, a restauração ambiental, as espécies invasoras e os incêndios florestais associados às monoculturas, em especial
o eucalipto. É autor de vários artigos onde apresenta o caso de Teis como exemplo de restauração ambiental baseada no envolvimento comunitário. Tem sido orador em eventos nacionais e internacionais e, desde 2025, representa a I-Comunales no Consórcio Europeu ICCA, colaborando atualmente em projetos de participação juvenil na gestão dos baldios.
Sinopse da comunicação
A gestão do território pelo Baldio de Teis, Comunidade de Montes en Man Común de Teis (CMVMC Teis-Vigo) baseia-se numa forma de propriedade comunitária com séculos de história, ainda presente sobretudo na Galiza e no norte de Portugal. Estas organizações foram proibidas durante a ditadura de Franco e apenas no final dos anos 1970 as comunidades começaram a recuperar os seus direitos tradicionais.
A comunidade de Teis foi oficialmente constituída em 1998, num contexto difícil, marcado pela construção de uma autoestrada através do monte comunal, o que provocou graves danos ambientais. Durante décadas, o território sofreu múltiplos impactos: instalação de linhas elétricas, depósitos de lixo, construção de estradas e infraestruturas públicas, e a introdução massiva de espécies exóticas, causando uma forte degradação ecológica.
Perante esta realidade, a comunidade decidiu apostar na restauração autêntica da floresta atlântica nativa. Um dos maiores desafios tem sido o controlo da acácia-negra (Acacia melanoxylon), espécie invasora introduzida no inicio do século XX pela própria administração sendo a sua expansão muito favorecida pelos incêndios.
Nos últimos quase 30 anos, a comunidade tem trabalhado na recuperação de áreas dominadas por acácia, restaurando gradualmente uma floresta diversa com espécies autóctones. Os resultados são visíveis: regressaram animais, plantas e fungos desaparecidos já há muito tempo, demonstrando a capacidade de regeneração da natureza mesmo junto a uma cidade.
Este processo também teve impacto social positivo, com criação de emprego, recuperação de usos tradicionais do monte e numerosas atividades educativas com escolas e voluntários.
Apesar disso, continua a existir falta de apoio institucional. A comunidade defende a criação de políticas públicas que promovam a genuína floresta nativa e que responsabilizem economicamente a indústria florestal. A educação também deve desempenhar um papel essencial, ajudando a compreender que restaurar as florestas nativas é fundamental para enfrentar o contesto de emergência climática e reconstruir uma relação harmoniosa e respeitosa e entre sociedade e natureza.
