Paulo Lima, antropólogo, integrou várias equipas responsáveis pela elaboração de pedidos inscrição à UNESCO de diversas manifestações de património cultural imaterial. Desde 2016 que trabalha sobre a Reforma Agrária.
Título de Comunicação
A gestão de Comuns em Portugal e na Galiza: um Bem Cultural extraordinário que deve ser reconhecido como Património da Humanidade pela UNESCO.
A história contemporânea portuguesa tem sido marcada por uma guerra invisível, a Guerra da Reforma Agrária.
Nos últimos 200 anos, os governos de Portugal desenvolveram uma estratégia de apossamento ou controlo das terras comuns.
Sob diversas designações, dunas, incultos, logradouros ou baldios, estes têm sido considerados muitas vezes como a razão do atraso da agricultura e da indústria em Portugal.
Esta guerra mostra também a grande resistência das comunidades locais na defesa de si própria.
A UNESCO, através da Convenção para a salvaguarda do património cultural imaterial, tem inscrito modos de gestão de bens comuns, como é o caso da água. Importaria assim inscrevê-los numa candidatura em série, de forma a que os ‘povos’ possam dispor de mais um instrumento na defesa de uma forma ancestral de gestão da paisagem.
