As cantigas era coisa das mulheres.
E elas, as cantadeiras, aprendiam as cantigas em família, ou com as vizinhas, com todas elas, porque o lugar é pequeno.
O coro e a afinação, faziam-se nas rodas, aos Domingos à tarde, quando se juntava a mocidade, numa alegre diversão. Outras vezes, numa vessada ou até quando se encontravam duas ou três a guardar o gado ou a rês.
Mas era nas lides agrícolas colectivas que as cantigas tinham de sair afinadas. Com as segadas, fossem elas dos do lado da Picota ou da Fraga, já todas sabiam o lugar da sua voz, se a de cima, a do meio ou a de baixo e até quem arrebitava no fim. Até que chegava a malhada, um regalo para todos; para elas, porque eram lindas as cantigas e lhes davam um momento invulgar de realização; para eles, a fadiga chegava mais tarde, se chegasse.
O reportório ajustava-se para cada actividade e aos momentos dela, briosamente.
Como forma de transmitir e perpetuar cultura e saberes ancestrais, fizemos a primeira recolha das nossas cantigas no início da década de 1980, seguindo-se depois outros momentos de recolha, nomeadamente na recriação da segada e da malhada, bem como de projectos de entidades externas.
