DATA: 5 e 6 de Dezembro de 2014
TEMA: A Água como elemento chave do Carvalhal
LOCAL: Museu Etnográfico de Vilarinho da Furna, em Campo do Gerês, Terras de Bouro
As II Jornadas sobre os Carvalhos surgem na sequência da primeira edição, em 2013, quando diversas entidades se juntaram com o objetivo de promoverem uma floresta portuguesa saudável e rica para aqueles que nela vivem e dela dependem. Com a duração de 2 dias e formação acreditada para professores, estas Jornadas decorrem no Campo do Gerês em Terras de Bouro, em pleno coração do Minho e do Parque Nacional da Peneda-Gerês. Os participantes, oradores, convidados e escolas são recebidos nos Museus de Vilarinho das Furnas e da Geira, para partilharem a sua experiência e conhecimento através de apresentações, debates, provas gastronómicas e momentos didáticos. Como a floresta não se vive em sala, são programadas saídas à floresta para conhecer o espaço, mas também para darem uma mão ao legado deste património coletivo, através de ações de plantação e colheita de sementes.
As II Jornadas foram co-organizadas por 6 entidades envolvidas na promoção de espaços florestais saudáveis, adequados ao território português e com valor para a economia local. Trabalharam em colaboração diversas entidades locais e nacionais, nomeadamente a entidade financiadora ATAHCA – Associação de Desenvolvimento das Terras Altas do Homem Cávado e Ave, a Associação de Compartes do Campo do Gerês, o Município de Terras de Bouro, a Ordem dos Biólogos, a AMO Portugal e a UTAD. A organização contou com a colaboração do Projeto Floresta Comum e o apoio das Águas Fastio. Esta parceria surgiu com o objetivo de se fomentar a reflexão sobre a importância da preservação, valorização e incentivo à plantação de espécies autóctones e a divulgação dos carvalhos na sua importância para a economia local, a fauna e flora a ele associada e as manchas de carvalhais no território.
As II Jornadas Técnicas Sobre os Carvalhos decorreram nos dias 5 e 6 de Dezembro de 2014 em plena campanha de (re)arborização de 2014/15, com a participação de 120 pessoas. Nestas II Jornadas pretendeu-se que a atenção se focasse numa função e serviço vital que a floresta nos presta, o papel da água como elemento chave do carvalhal. Um ecossistema equilibrado desempenha funções de regulação do ciclo da água e da sua qualidade. O benefício gerado por um ecossistema numa área protegida, em particular a água de qualidade, é usufruído por todos os que se abastecem dessa bacia hidrográfica como uma externalidade positiva. O encargo da preservação desse ecossistema não deve ser partilhado por todos os que usufruem desse serviço? Por outro lado, os condicionalismos impostos aos que vivem numa área protegida são externalidades negativas. As externalidades não deviam ser eliminadas? Com estas questões lançaram-se os 2 painéis do primeiro dia, o primeiro sobre a importância dos ecossistemas e o segundo sobre as estratégias de desenvolvimento. Oradores de diferentes contextos e áreas de atuação reforçaram que a relação ‘ser humano-ambiente’, da qual o humano integra e não é um observador, deve evoluir na perspectiva de reconhecer e valorizar os serviços de ecossistema, vitais para a sobrevivência da espécie humana. Estratégias de desenvolvimento que devem ser integrar aqueles que gerem a paisagem e os que usufruem dela. Uma gestão que elimine as atuais externalidades, consequências não planeadas que podem ser positivas ou negativas, e que as inclua numa equação que valorize e beneficie a relação com a Natureza.
Na parte da tarde deste dia juntaram-se ao programa 150 alunos dos agrupamentos de escolas de Terras de Bouro e Vila Verde. Os mais novos foram plantar sobreiros enquanto que os mais velhos se mantiveram em sala. O III painel foi dedicado à água como produto do ecossistema. Neste painel foram apresentados os percursos que a água faz até chegar a cada uma de nós, seja pelo sistema municipal de abastecimento ou água engarrafada. Os pontos de atenção fulcrais no controlo da água, da sua qualidade e distância que percorre foram abordados. A importância dos cursos de água e as interferências humanas no seu desvio tem uma história antiga que interfere com todos os ecossistemas ribeirinhos que deveriam existir desde a nascente à foz. Com os alertas e possibilidades de intervenção, terminaram os painéis em sala seguindo-se apresentação do Manual de Boas Práticas sobre o Carvalho aos dois grupos.
Depois de plantarem sobreiros, os mais novos foram surpreendidos com a Mascote Bolota que lhes levou lembranças deste dia e o manual “O Carvalho – A Árvore de Portugal” – Uma visão pedagógica. Esta publicação resultou das conclusões das I Jornadas, onde foi identificada a necessidade de existir bibliografia específica destinada às escolas e a todos aqueles que pretendam conhecer a melhor metodologia para recolher e seleccionar sementes de carvalhos, de maneira a germinar árvores com a qualidade necessária para o melhor crescimento, contribuindo para a existência de uma floresta autóctone sustentável, que proporcione a riqueza necessária aos seus detentores. A preservação e a ampliação de área de floresta autóctone contribuirão para o desenvolvimento sustentado dos territórios rurais, sendo necessário o envolvimento de todos, no sentido de garantir os instrumentos e ferramentas necessárias para a sensibilização e informação sobre a importância da riqueza que está próxima das nossas mãos, a aguardar que alguém a segure e defenda. O dia terminou com o público mais velho, num momento de partilha e aprendizagem de receitas de pão e café de bolota que se seguiu de uma degustação dessas iguarias da floresta muita apreciadas por todos.
O segundo dia começou com uma pequena introdução em sala do workshop sobre colheita de sementes. Foram abordadas as considerações gerais de identificação de espécies assim como os locais mais adequados para a apanha de sementes e o respectivo enquadramento legal. Terminada a colheita de sementes decorreu uma ação de plantação simbólica de sobreiros, na proximidade da Mata de Albergaria.
Tendo este evento também o objetivo de reunir os professores, que localmente divulgam estes temas junto dos seus alunos e promovem assim a construção de uma geração preocupada com a floresta, o Centro de Formação da Ordem dos Biólogos certificou o evento como ação de formação de 15h. Juntaram-se professores de vários grupos disciplinares que serão atores essenciais na transferência de conhecimento e valorização das vantagens ambientais e económicas destas espécies porque a floresta autóctone é uma floresta de futuro.

